Passa  

Posted by: Bia ﺕ

A conclusão primordial que ela tirou desse ano que termina é que..tudo passa!
A raiva, a angustia, a tristeza, as derrotas, as desilusões.
O remédio pra qualquer dor é saber que ela passa! ..a única coisa que fica pra sempre é a saudade!
Saudade dos tempos que passaram, das pessoas que passaram por esses tempos, dos cheiros que esses tempos tinham, do que se tinha nesses tempos...saudade..a mais bela, translúcida e pura saudade!
Sentimento tão nostálgico e ao mesmo tempo tão melancólico, mas que na maioria das vezes, acaba com um sorriso rasgado de canto a canto com uma lágrima a tira colo.
Mais um ano se passa, mais um ano chega e ela sempre com os mesmo desejos escritos em um novo papel que, provavelmente, esquecerá em mais alguma gaveta e que só se recordará no próximo ano para, assim, riscar o que conseguiu conquistar.
Ela pede, reza por aquilo que ela consegue inventar e grita por aquilo que está tão preso dentro dela e que, nem ela consegue dizer com as palavras certas. A espera cansa, muito..e com o tempo vai se extinguindo, porque esperança tem prazo de validade e a dela já está vencida a bastante tempo.

É bom chorar..choro guardado dá dor nas costas.

Depois da chuva  

Posted by: Bia ﺕ

Nada melhor do que deitar no tapete e esperar a chuva passar, já dizia ela.
O reflexo dos raios em seu rosto faziam com que suas pupilas quase desaparecessem, de tão minúsculas que ficavam.
A cada relâmpago, um pedido e a cada trovão, um grito!
E foi assim até as 02:31h da madrugada, quando não agüentou mais e foi vencida pelo cheiro de sono e da terra molhada no canteirinho da janela onde cultivava as mais belas gérberas.
Adormeceu, ali mesmo, bem no meio do tapete, encolhida pela sensação de frio.
Já de manhã, despertou... com o incessante barulho dos pingos do lado de fora que cismavam em cair sobre alguma coisa metálica.
Sorriu baixinho.
Era o melhor a fazer.
De que adianta acordar de cara feia se o céu chorou pra vc a noite inteira?
Tem dias que as manhãs são mesmo assim, vc acorda meio melancólica , aquele emaranhado de sensações ruins dentro do peito e nenhuma ponta visível pra começar a desfazer o nó.
O melhor que tem a fazer é voltar a dormir.
Tavez.

Hoje, já nada se sabe.  

Posted by: Bia ﺕ


Parecia que nada a impedia de tentar, mas dentro dela havia uma muralha de tijolos transparentes grudados com super cola, que não evitavam que ela olhasse o mundo, mas que faziam questão de prende-la, aqui.
Seu mundo já não era mais tão lilás, ela já estava quase sem forças e sua esperança passou a ser fugaz.
No seu peito, o buraco era tão grande que não havia mais nada além do silêncio.
Um vazio profundo onde todas as palavras perdiam o som, mas se vc conseguisse chegar bem pertinho de seu peito, era possível ouvir a nascente das lágrimas.
O que ela sabe é que seu vazio só seria menos vazio se, finalmente, tivesse o rastro de um olhar ou então se pudesse ter alguém por perto, nem que seja por trás de uma fresta que ela conseguisse espiar.
Essa cara de brava que ela tem é pura fachada, faz parte da muralha refletida no olhar, mas que ela, por algum motivo, já não consegue desmanchar.
Já não sabe mais se ri ou se chora, acontece que a tristeza comeu o restinho de alegria que havia sobrado em alguma gaveta qualquer de algum armário já mal tratado pelo vento que sopra de fora.
O que ela queria mesmo era não sentir mais frustração, nem angustia, nem raiva.
Queria mesmo era não ter mais que esperar, ou fugir.

(Bia)

-Bom demais estar de volta!! Aos poucos o trem entra no trilho e a vida volta a andar!!

Ela escutou atrás da [sua] porta.  

Posted by: Bia ﺕ

Por um momento, de pura curiosidade, ela decidiu sentar-se em frente a sua porta. Quem sabe, assim, como quem não quer nada, conseguiria entender o que se passa por dentro.
Foi então que, tomada por uma brisa leve que invadiu seus pulmões a ponto de fazê-la suspirar, inclinou sua cabeça e encostou o ouvido na porta com tal delicadeza que, como sempre, não emitiu som algum.
Ali, sentada, concentrou-se no interior e exorcizou o mundo ao seu redor.
Conseguiu ouvir, bem baixinho, alguém sussurrar alguma coisa. Era tudo tão silencioso que ela ficava imaginando se realmente morava alguém ali.
No meio de todo aquele silêncio, de longe, ouvia-se uma música. Uma música tão relaxante que ela sentiu seus dedos dos pés adormecerem e, por um instante, impregnada com aquela doce melodia, se perguntou porque havia passado tanto tempo observando sua vida, assim, do lado de fora.
Não era intensional, muito menos sem querer...acontece que aconteceu, assim, sem ser ou dizer.
Diante de seu questionamento, não conseguiu achar resposta, de novo.
Daqui e de outros lugares todas as palavras perderam o som. Isso porque seu coração está mudo, de fato só pode estar. Nem os gritos dados no silêncio da noite eram mais ouvidos. Isso provocava um sensação gelada na espinha, que nem ela, nem ninguém poderia explicar.
É que seu coração quase que não bate mais de tanta vontade, e a vida dela virou esperar.
Já espera há tanto tempo que desaprendeu a viver.
Hoje percebeu o quão escondida está em seu próprio espetáculo de vida.

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Gastamos muito mais tempo falando de nossos inimigos do que elogiando nossos amigos. =)

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